fadiga
Eu acho que não vai dar. Eu vejo a terra, eu sei que não está tão longe assim, mas eu preciso de uma corda, uma bóia, alguma coisa. Eu já sinto tudo que senti antes, e sei que assim não dá.
Essa não é a minha primeira vez, eu já tentei esse percurso antes. Nos meus melhores momentos, morri na praia. Mesmo nos meus piores dias, sempre me deram pelo menos um colete salva vidas. Agora eu não tenho nada, e ainda assim me sinto mais próxima do que nunca.
Talvez o impulso dessa vez tenha sido maior, todas as tentativas serviram de treino e minhas pernas estão fortes o suficiente para suportar o arranque. Talvez o mar que esteja mais calmo. Eu fico tentando racionalizar porque não quero dar o braço a torcer de que talvez eu só esteja há tanto tempo sem me jogar nessas águas que não lembro do cansaço.
Eu não sei mais qual era minha velocidade básica para saber se agora estou melhor ou pior. Sorte de principiante, animação de quem volta depois de mais de ano. Talvez seja só isso mesmo. Eu fico achando que o mar hoje me ama de volta e me acolhe. Talvez essa ilusão toda me mova para mais perto.
Eu sei, eu tenho certeza, que antes demorava muito mais para chegar aqui, no meio do caminho. Agora, mesmo sem colete, sem nada, eu cheguei, mas daqui em diante não sei se vai dar. Queimei a largada, acumulei fadiga e eu já não sou a mesma de antes. Meu espírito não dá mais conta daquilo que eu não consigo, preciso de ajuda.
Ouço gritos “você está quase lá!” Todos ao meu redor me enxergam num lugar que eu ainda não estou, e têm tanta certeza que sequer me ajudam. Se ao menos me jogassem uma corda, uma bóia que fosse.
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