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fera

  Os fios do veludo refletem a vida que já passou. Partes molhadas de bebidas meladas - nojentas, iluminadas. A cortina maior do que o pé direito garante total suspense, nada pode ser visto, nem sequer seus pés. Ainda assim se sabe que, do outro lado, prestes a entrar, está a fera.   Sua respiração alta, errática, ora reconfortante, ora aterrorizante. Expira com raiva, inspira suave, inaudível. Segundos se passam e minhas mãos agora estão inquietas. Sinto meus dedos no veludo vermelho, macio, grudento, velho, usado. A fera retorna com passos fortes e largos, agora à minha direita, não mais à minha frente.  Num reflexo masoquista meu coração se acalma ao lembrar da ameaça. Ainda bem que ela ainda me procura. Eu não vejo seus pés - ou seriam patas? - mas sei que um passo em minha direção e eu veria meu fim.  Em meio a toda a minha angústia lembro que estou num palco, mas não consigo mais sentir os olhos da plateia. Ainda me pergunto porque alguém pagaria para ass...

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