vergonha
Eu tenho vergonha da efemeridade das pessoas. Quando alguém me diz que teve paixões intensas e rápidas que morreram com o mesmo fervor que começaram, eu enxergo uma certa sofisticação. Poder se apaixonar em uma semana é exatamente tão difícil quanto esquecer alguém em dez dias. Um dia um rabino me leu como um livro e disse que eu precisava parar de tratar pessoas como vultos na minha vida. E até hoje eu me pergunto se segui seu conselho corretamente, e eu nem acredito tanto assim em religião. Quando ouvi isso, reconheci que sempre contei com minha facilidade de amar pessoas como uma ferramenta para, também, substituir pessoas. Percebo que passo pelos mesmos lugares com pessoas diferentes, faço as mesmas observações e me divirto com a diferença nas reações. Como se eu estivesse selecionando o elenco para uma peça que só eu assisto, enquanto a dirijo. Definitivamente é uma comédia, eu rio muito das coisas que faço as pessoas dizerem. Enfim, ouvi o conselho,...