montanha

 Acordo antes do sol e olho pela janela. Aqui no meio do nada, posso ver bem como ele toca com cuidado, lânguido. Em minha frente a tal montanha. 


De dentro do meu porto seguro posso ver perfeitamente todas as suas partes. Ainda escuras, molhadas da noite que as toca de forma um pouco mais explícita, cada folha de grama me salta aos olhos. Eu sei que o macio do meu carpete não se compara à terra que não me suja.


O sol sobe laranja, para reinar numa palidez cegante. Mas observo, devagar, toca na base, sobe pelo ombro, aquela curva logo antes da subida mais íngrime. Finalmente ele chega na ponta da montanha. 


E eu continuo aqui, no quente, tomando um café que eu não preparei. Assisto a montanha, vejo que algumas folhas são mais queimadas, outras mais jovens. Sei que ela, assim como eu, sabe exatamente onde o sol toca, onde a noite molha.


Eu sei, ela sabe, algumas partes de nós nunca mais serão iluminadas como antes. 

Comments

Popular Posts